quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Muito obrigado

Neste ano em que encerro algumas actividades que marcaram o meu tempo, venho deste modo agradecer, em meu nome pessoal e também da DDLX Design Comunicação Lisboa, as oportunidades que nos deram. Esmiuçando:

SETÚBAL - Muito obrigado a todos os autores — escritores, historiadores, jornalistas, artistas visuais — que se dispuseram participar em apresentações dos seus trabalhos na iniciativa "Muito Cá de Casa", na Casa Da Cultura | Setúbal Passaram pela sala José Afonso da Casa os melhores. A vossa generosidade foi imensa, proporcional ao vosso talento. Agradeço também a toda a gente que, armada de intensa curiosidade intelectual participou nas sessões.


Muito obrigado a todos os artistas visuais que aceitaram o convite para exporem os seus trabalhos mais recentes — todos excelentes e inspiradores —, em exposições de grande qualidade, na galeria e no espaço João Paulo Cotrim da Casa Da Cultura | Setúbal, permitindo-me o privilégio de tratar da curadoria e do design expositivo. Foi um prazer, é claro, mas também uma aprendizagem. Aprendemos sempre com os melhores.

Muito obrigado a todos os artistas, curadores e editores que participaram nas onze edições da Festa da Ilustração - Setúbal. Esta Festa marcou a agenda da ilustração em Portugal e tornou-se um acontecimento único. Muito obrigado também a quem colaborou em todas estas actividades — amigas e amigos de sempre, dando ideias e ajudando nas montagens das exposições, mas também a toda a gente que trabalha no Município, gente que trabalha no duro. Ficamos todos amigos. Agradeço aos responsáveis autárquicos e ao público que participou — permitindo que tanta imagem nos inundasse o espírito esclarecendo a mente. Somos agora gente melhor. Nesta altura em que deixo de trabalhar na cidade, agradeço a tanta gente que nos ajudou a ser melhor gente, Desejo-vos o melhor. É preciso resistir. Resistam.

GRÂNDOLA - Muito obrigado a todos os artistas, curadores, e participantes na iniciativa "Ilustrar a Fraternidade". Fizemos coisas muito bonitas, "dentro de ti, ó cidade". Exposições, acções de formação, conferências e debates memoráveis. Grândola tem uma Biblioteca e Arquivo que permite o melhor. Arquitectura de excelência que convida a não parar de frequentar. Gente bonita em sítio lindíssimo.

LISBOA - As iniciativas sucederam-se. Exposições, lançamentos de livros, debates, trabalho. Agradeço à editora abysmo, à Biblioteca José Dias Coelho, à editora Snob
e à Biblioteca Camões. Agradeço desde já a possibilidade de actividades futuras. A Biblioteca Camões, no largo do Calhariz, vai albergar, por assim dizer, a minha exposição "As palavras" em fevereiro próximo. E isto não vai ser apenas uma exposição. Muitas conversas e convívios vão existir neste lugar aonde apetece sempre voltar. Vamos continuar a trabalhar juntos. Vamos resistir ao tempo anti-cultural que nos ameaça. "Seremos muitos, seremos alguém", como cantou José Afonso. Facebook  

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

ADEUS

 
 
O projecto Spam Cartoon, que passou durante oito anos na RTP3, acabou. A actual direcção despachou a coisa com uma singela mensagem enviada por correio electrónico. Os ajustamentos continuam, mas não me parece que sejam pelas melhores razões. Aliás, as razões parecem estar bem percebidas: ajustar tudo aos novos tempos. Luxos ideológicos. O Spam Cartoon é um projecto extraordinário. Imaginação, crítica, humor e qualidade gráfica marcaram momentos maiores nas televisões de um público atento e exigente. Se calhar os poderes só estão preocupados em fornecer lixo tóxico ao povo. Este último episódio é colectivo e é absolutamente notável. Vejam bem. 
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Fazem falta as palavras certas

Mantenho a ideia de que a arte deve surpreender pela atitude. As imagens não anulam as palavras. As palavras fazem falta. O discurso lúcido é fundamental. A habilidade não me seduz. O bonitinho desagrada-me. Os artistas que me fascinam são os que me surpreendem. Os que esburacam, sujam as mãos, arriscam, vão à procura do que ainda não conhecem sem medo de errar. Tento aprender com eles, sempre, mas sem o recurso à influência. Fujo disso. O que está feito, está feito, ponto. Olho para o lado e sigo em frente. A inteligência artificial está a permitir e a estimular o atropelo. O plágio e até a cópia descarada. Isso tem que ser contrariado. Combatido. As soluções fáceis não emocionam. Não são soluções, são o erro que é preciso contrariar. O que me alegra é a surpresa que se envolve em autenticidade. A procura da originalidade dá trabalho, mas traz mais felicidade. Nesta proposta vou incluir laivos de pintura, muito desenho, algum design gráfico, a grande literatura, a música que se tornou intemporal, o necessário design expositivo e muita curiosidade intelectual. Estou curioso, confesso. E entusiasmado. Vamos lá a ver o que isto vai dar.
Estou em fase de alinhar as ideias que fui desenvolvendo ao longo deste tempo, desde que iniciei o trabalho para mostrar na estimulante cidade de Montpellier, uma grande cidade de França, dirigida pelo autarca modelo
Michaël Delafosse. Mas sobre Delafosse e a cidade que tem a sorte de o ter como presidente falarei numa das sessões incluídas neste projeto. O que vou mostrar na galeria da Biblioteca Camões, em Lisboa, parte da proposta que animou o vigésimo aniversário da Casa Amadis, associação cultural portuguesa, dirigida pelo meu amigo Tito Livio Santos Mota, e sediada em Montpellier. A exposição lá foi em Abril de 2023. Agora, em Lisboa, tudo vai ser diferente no conteúdo, mas o conceito mantém-se:
AS PALAVRAS é o título da exposição e vai ser mote para as várias conversas que vamos manter na galeria da Biblioteca instalada no palácio situado no Largo do Calhariz.
São muitos os convocados: José Afonso, claro, mas também Luís de Camões, Fernando Pessoa, Mark Rothko, Thomas Bernhard, Antoni Tàpies, João Paulo Cotrim, entre outros mágicos das imagens e das palavras.
Mas conversar mesmo em tons vivos vai ser com Viriato Teles, Fernando Cabral Martins, António Cabrita, Ana Nogueira, Fernando Luís Sampaio e Jorge Abegão.
É muito bom ter como amigos gente assim. Gente que é gente e sabe coisas. Muitas coisas.
Enviarei muito em breve programa completo com nomes, datas e horas de todas as sessões. Entretanto tomem nota:
A abertura é dia 6 de fevereiro às 18h30. Até lá.
 
AS PALAVRAS
Matérias transformadas
por José Teófilo Duarte.
Galeria da Biblioteca Camões.
Largo do Calhariz, 17. Lisboa.
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domingo, 28 de dezembro de 2025

Cultura é política. Política é cultura


Catarina Martins, na apresentação da minha condição de mandatário da sua candidatura à Presidência da República no distrito de Setúbal, disse: "As pessoas da cultura sabem antecipar o que aí vem, sabem criar diálogos, fazer pontes..." É a opinião de Catarina e também a minha. Acrescento que política sem cultura é como olhar, tentar perceber o que se tenta ver, e não o conseguir.
Fernando Pessoa, que tinha aquela natural curiosidade que o levava a querer perceber tudo, escreveu isto: "cultura é o aperfeiçoamento subjectivo da vida, dividido entre arte (aperfeiçoamento directo) e ciência (aperfeiçoamento do conceito do mundo), sendo mais do que erudição; é uma atitude de espírito que extrai sabedoria das experiências, cultivando a curiosidade e o aprofundamento, e não apenas o acúmulo de saber." O homem percebeu tudo.
Natália Correia, em carta enviada a José Afonso, depois de o ter visto e apreciado num programa televisivo, a linhas tantas escreveu isto: "Temos que perceber a cultura dos incultos". Era já então a preocupação com a evidente ocupação do espaço mediático pelos arautos do populismo cultural e político. Mais pessimista, Nelson Rodrigues achava que "Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos."
A absorção cega de tretas vagas ou mentirosas não são documentação cultural. Olhar e fazer o que já foi feito não é intelectualmente sério. A curiosidade intelectual não cega, alarga a visão. Os cargos políticos devem ser ocupados por quem assume valores e tem ideias. Por quem tem cultura. Em democracia devemos sempre tentar eleger quem está do lado certo. E somos nós que decidimos o que está certo. É à esquerda que há valores que nos animam e fornecem alegria para viver de olhos abertos e cabeça atenta.
Vamos pensar sobre o que nós somos. Vamos trabalhar, Catarina.
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sábado, 27 de dezembro de 2025

Mentalidade Montenegro

Luís Montenegro, primeiro-ministro eleito de Portugal, resolveu aderir à moda circunstancial da auto-ajuda motivacional que resolve todos os males do mundo e o português em particular, na sua ilustrada opinião. Assumiu o seu papel de guru coaching sugerindo uma receita de sucesso fácil, barata e que dá milhões: vamos ser todos Ronaldo. 
 
Ronaldo, para quem não saiba ou esteja longe de apreciar uma entretenga muito popular no seu país, é um praticante de uma modalidade a que deram o nome de futebol. Mas alto lá: é um praticante de extremo sucesso, havendo até quem diga que é o mais notável português de sempre. Existe até um chefe populista, líder do partido fascista e agora candidato presidencial, que cresceu nessa modalidade — comentando as práticas futebolísticas em indescritíveis programas de televisão — e que trouxe com grande sucesso para a política esses tão apreciados comentários ensopados de conceitos de bradar aos céus. As comparações de atitudes de políticos com as entradas em campo de futebolistas são chutadas a toda a hora e em todos os salões, pavilhões e relvados para as pessoas "perceberem lá em casa". Esta expressão, que me tira do sério ao ponto de mudar de imediato de canal, ilustra o nível de conteúdos em que vegeta a política e o seu comentário. 
 
É por esse trilho que Montenegro caminha. Não conhece livros, baralha autores, não vê teatro, nem cinema, não tenta perceber o que não quer conhecer, mas ouve Tony Carreira como grande nome da cultura musical (mais recentemente Toy foi adicionado ao pacote) e vai à bola e conhece os protagonistas que nela dão pontapés. Daí o apelo ao exemplo de Ronaldo. Devemos ter a mentalidade Ronaldo. É aqui que se revela a mentalidade Montenegro. Para ele o país funcionaria melhor se todos tivéssemos nascido pobrezinhos mas com uma funcional mentalidade virada para sermos ricos. Muito ricos de preferência. E para isso o melhor seria, de pequeninos, arranjarmos uma bola e começarmos a dar nela de manhã à noite, com rigor vencedor logo a partir daí. Quem não souber dar pontapés na bola pode dar noutra coisa qualquer. O que é preciso é crescer a dar muitos pontapés. Chegados a ricos é tentar não pagar impostos e fugir a obrigações que dão trabalho. Depois é comprar carros caros que de pobretanas não reza a história dos vencedores; tentar ter prazer sexual com quem não está para aí virado nem que seja à força; mandar vir filhos por correspondência, pagando é claro, que o dinheiro compra tudo; arranjar uma mulher com "um bom corpo" que a casa e os rebentos precisam dos cuidados que só uma mulher conhece; jogar à bola onde for preciso e para quem pague mais, e jantar com os homens mais poderosos do mundo mesmo que sejam muito perigosos e com carácter de minhoca. Crimes são coisas que acontecem, como diz o outro, e os novos-muito-ricos não têm vagar para aturar gente que só pensa em solidariedade, carácter, decência, cultura e mais não sei o quê.
 
A mentalidade Montenegro é isto. Temos um primeiro-ministro encantado com os manuais de auto-ajuda. Um homem que mal sabe ler e escrever é primeiro-ministro e quer que o principal guru de um país seja um parolo narcísico, bilionário, incomensuravelmente vaidoso e deslumbrado com as suas próprias atitudes ridículas. Temos um primeiro-ministro que é um inenarrável parolo sem nível nenhum, encostado a uma extrema-direita perigosamente triunfante, rodeado de gente inclassificável, que se augura de líder dos novos tempos. O futuro já chegou. Já estamos na lama. Essa é que é essa.
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Perry Bamonte

Morreu Perry Bamonte, guitarrista e teclista dos THE CURE. Foi a banda que anunciou esta morte em comunicado, acrescentando estas palavras: "Calmo, intenso, intuitivo, constante e extremamente criativo, ‘Teddy’ era uma parte calorosa e vital da história dos THE CURE."
Acompanhava os THE CURE desde 1984, e foi convidado a juntar-se à banda quando o teclista Roger O'Donnell saiu em 1990.

THE CURE foram uma das bandas que mais me animaram a mim e a muita gente que se cruzava comigo. Participei em noites de audição de LPs da banda acabadinhos de sair. Momentos memoráveis. As artes têm destas coisas: animam, divertem, estimulam o convívio e formam públicos.
Muito obrigado, Perry Bamonte.

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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Receituário

Passa hoje na RTP 2, às dez da noite, um documentário sobre o compositor e músico António Pinho Vargas
 
Diz a comunicação da estação televisiva que é um "vídeo-documentário realizado por Adriana Romero sobre um dos mais conceituados compositores e pianistas portugueses".
António Pinho Vargas é apoiante e mandatário nacional da candidatura de Catarina Martins à Presidência da República.
É uma grande escolha da candidata. Eu, mandatário da mesma candidatura no distrito de Setúbal, fico contente por recomendar este visionamento. É sempre bom ouvir quem sabe. António Pinho Vargas é nome maior da cultura contemporânea. É ouvi-lo. E percebê-lo. Sempre.
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A saudade não se esvai

É triste, este dia que vem logo a seguir às festas que se querem felizes. É dia de uma tristeza imensa, que convoca a saudade e nos reforça esta certeza de percebermos o quanto importante foram para nós estes amigos. Fomos todos amigos. Partilhámos muitas vontades, emoções, muitas dúvidas e poucas certezas. Tenho saudades das conversas. E tanta conversa que havia por encetar. Tenho saudades de estar com eles. É por isso que aqui estou a recordá-los. É uma espécie de maneira de os ter por perto. Meus queridos João Paulo e António Mega. A saudade não se esvai.
 
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Conversa em família

O advogado de negócios que ocupa o lugar de primeiro-ministro falou aos portugueses que vivem no seu país. Do meu país está muito longe. Mas deu as táticas aos seus jogadores, perdão: eleitores. O homem adopta a linguagem trumpiana do auto-elogio e apela a que todos sejamos como Ronaldo. Ora bolas para a bola, homem. Eu, que não vou em futebóis, e que me estou perfeitamente borrifando para o fubebolista-herói do advogado de negócios que é primeiro-ministro, quero mesmo que esta gente vá toda jogar à bola bem longe do meu relvado. Ide, ide para muito longe. Os nossos problemas como país resultam dos vossos jogos, já que o apelo Coaching é futebolístico. 

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Natal

O meu natal é o desta canção de José Afonso. O imaginário popular foi recriado e tornado sofisticado pelo genial músico, que não esqueceu a autenticidade dos criadores populares. O que fazem e vivem as pessoas foram o alimento estético do genial criador de sons e palavras. O meu natal é o NATAL DOS SIMPLES de José Afonso, incluído no álbum CANTARES DO ANDARILHO. 1968. Orfeu.
Acompanhamento à viola por Rui Pato.
Reedição em 2021. Mais Cinco.
Capa: grafismo e fotografias de José Santa-Bárbara.
 
Bom Natal. 
 
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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025



TODOS, TODOS, TODOS | O pantomineiro vai ser obrigado a retirar os cartazes indignos. A decisão judicial não traz surpresa. Os cartazes não desmentem o racismo impresso. A delinquência é notória. Todos temos de cumprir as leis. Até os ladrões, os pedófilos, os racistas, e todos os outros vigaristas do partido fascista.
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Com Catarina

Para a apresentação da minha condição de mandatário distrital da candidatura de Catarina Martins à Presidência da República, escolhemos o ambiente da Casa da Cerca, em Almada. Visitámos as excelentes exposições em exibição — Beatriz Manteigas, Jessica Warboys, Catarina Marques Domingues, João Pimenta Gomes — que tornaram a nossa manhã um agradável e reflexivo momento de fruição cultural. 
 
A Casa da Cerca, em outros tempos local de lazer de gente endinheirada, é desde finais dos anos oitenta do século passado propriedade do Município de Almada. Foi Rogério Ribeiro que desenvolveu o conceito de centro de arte contemporânea. Artistas de prestígio firmado foram por ele convidados para mostrarem os seus trabalhos neste sítio fantástico, em exposições de competente design expositivo. Hoje expõem lá na casa artistas que experimentam áreas variadas de expressão. Falámos disso tudo nesta visita, onde a localização e a arquitectura são também de extrema relevância.
 
Catarina Martins elogiou o conceito e a sua aplicação, falou da falta de debate sobre cultura nos encontros entre candidatos, e revelou ideias sobre a necessidade de se debater a relação da cultura com a política, em tempos em que são desprezadas por uma classe política indocumentada e com orgulho nessa atitude. Lembrei-me do meu amigo António Mega Ferreira que considerava a política uma extenção da cultura. O apreço ou, pelo contrário, o desprezo de certos políticos pela cultura, são sempre atitude política. Para a esquerda, a cultura, a arte, são muito importantes porque interrogam e formam consciências. Para uma certa direita (a chamada clássica) é vistoso ornamento de luxo. Para a extrema-direita é artigo dispensável. Umas e outras são atitudes políticas. 
 
Catarina Martins é uma mulher de cultura que sente a importância dos projetos culturais neste tempo de entretenimento ligeiro. A nossa esquerda é culta, cosmopolita e progressista. É política.
 


Fotografias de Fernando Pinho
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domingo, 21 de dezembro de 2025

PRESIDENCIAIS 2026. Setúbal, mandatário distrital

Catarina Martins convidou-me para mandatário da sua candidatura no distrito de Setúbal. Honra em estar alinhado com António Pinho Vargas, mandatário nacional. Aceitei com gosto o desafio e apresento-me com esta opinião:

Há quem considere que é útil votar em quem esteja ideologicamente próximo e bem posicionado nas sondagens. Mas então quem decide quem está próximo do que pensamos e queremos? São os manipuladores que divulgam as sondagens? E como somos convencidos? São os candidatos que não querem ser guardados em gavetas que nos convencem? Serão os que votam como deputados uma coisa e propagam eleitoralmente outra?

A direita faz trinta por uma linha: inventa agressões onde não as há apenas para fazer vingar a sua hipocrisia e egoísmo. Alimenta a discórdia entre iguais. A direita clássica é cada vez menos clássica quando se aconchega à direita mais radical gritando os seus slogans discriminatórios. A direita não respeita direitos conquistados e quer mandar tudo lá para trás, nem que para isso se alie aos novos salazaristas. As direitas colocam os negócios em primeiro lugar. Para a direita as pessoas são números. Para a direita cultura e direitos humanos não existem. Ou só existem alegadamente quando a direita quer brincar à caridadezinha. 

O voto útil pode tornar-se inútil para a nossa consciência de cidadãos de esquerda, quando usamos o voto  na suposta esquerda que não quer parecer esquerda. Se não o quer parecer é porque o não é. A esquerda é útil para fazer avançar o mundo e para permitir que lutemos pelo nosso futuro. A esquerda não é woke, porque reconhecimento ligeiro de direitos e vontades não é de esquerda. A esquerda não é imobilista. A esquerda não assobia para o lado perante o insultos racistas e fascistas. A esquerda tem orgulho em ser esquerda. A esquerda é pela democracia e pela liberdade, e coloca as pessoas em primeiro lugar. As eleições não são um campeonato desportivo. Sermos minoritários, agora, não é defeito. Serem eleitoralmente maioritários não lhes dá razão. Nós temos outras razões para não lhes darmos razão. Temos ideias melhores e vivemos o nosso dia-a-dia mais felizes. Sem ódio ao outro. Queremos ser felizes. Como disse José Afonso numa canção: "Seremos muitos, seremos alguém". Vamos crescer. Temos bons e esclarecidos exemplos: a juventude nas universidades não permite fascistas em pregoeiro delírio. A nossa coragem mostra-se todos os dias, em todos os lugares. Seremos mais, seremos muitos mais, como pretendia José Afonso, e, citando-o de novo: o que faz falta é avisar a malta. O voto útil da malta de esquerda é na esquerda. O voto da esquerda é em Catarina Martins.

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sábado, 20 de dezembro de 2025

Receituário

Hoje vai ser lançado na Culsete, em Setúbal, novo livro do meu amigo e colega Raúl Reis. O título e a capa despertam curiosidade. Eu estou muito curioso e não vou faltar a este encontro "nem que chovam picaretas", como cantou José Afonso. É neste sábado, à tarde. A gente encontra-se.

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Obrigado, Mariana

Que importa a fúria do mar

Que a voz não te esmoreça

Vamos lutar
José Afonso 
 
Mariana Mortágua participou pela última vez nos trabalhos parlamentares desta legislatura. Foi uma excelente deputada. Surpreendeu pela capacidade de trabalho e pela assertividade. Nesta última participação apelou aos seus colegas que defendam a democracia na casa que serve para a defender. E também apelou a que os responsáveis pela gestão dos serviços da Assembleia da República reparem nos seus trabalhadores. Aplausos de pé. Todos os deputados presentes na sessão foram unânimes nesse reconhecimento.
Todos?! Não, há sempre um ou outro cromo que prefere a indigência. Agora estão lá sessenta cromos. Não desiludiram. A indigência é muito atrevida. Os palermas do costume manifestaram-se. Valem o que valem. Valem nada, mesmo que sejam sessenta. 
 
Mariana Mortágua vai continuar a servir a democracia. Obrigado, Mariana. Que a voz não te esmoreça. E até já.
 
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