Da série Grande Capas. The New Yorker. 16 de Março 2026. “War-a-Lago”, por Barry Blitt.
A Futurália é uma iniciativa da AIP que pretende informar alunos e alunas sobre possibilidades profissionais no futuro. Já dura há anos, e há anos que o partido fascista tenta criar ali o seu exército para o futuro. Meninos e meninas incautos e com a ignorância à flor da pele deixam-se lavar pelo discurso de ódio como se fosse solução. Agora foi lá o líder fascista e a coisa foi notícia televisiva. A gente sabe o que as televisões gostam de fascistas. Mas neste caso até serviu para alguma coisa. SOS racismo reagiu. Outras organizações democráticas preocuparam-se. Esta vergonha está a tornar-se corriqueira. Isto tem que ser contrariado. O crime racista não pode ser propagado como o melhor dos remédios para o futuro dos jovens portugueses. A AIP e o Ministério da Educação estão de bico calado? É de fascistas em delírio anti-democrático que falamos, senhores. Acordem.
O José Simões vai passar daqui https://derterrorist.blogs.sapo.pt/, para ali https://misteriosorganismo.blogspot.com/. O que importa é que fica por cá. Não se vai embora. Só muda de casa. Ele explica tudo aqui https://derterrorist.blogs.sapo.pt/vinte-mil-novecentos-e....
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| Na Casa da Cultura, em Setúbal. Fotografia da Ana (Nogueira). |
Citava eu esta frase por causa do meu aniversário, e mal sabia eu que estas palavras se iriam ajustar ao fim de Mário Zambujal. Falámos desta frase de Manuel da Fonseca no dia em que o convidei para um "Muito Cá de Casa" na Casa da Cultura de Setúbal. Encontro num lançamento de um livro de um amigo em meados de março de 2016. Diz-me o Mário: "Pois eu, fiz um dia destes uma coisa que nunca tinha feito na vida". Então, o que foi?, digo eu, impregnado de curiosidade. "Eh, pá, então não é que fiz oitenta anos?". Risadas, mais piadas e conversa programada para dezembro desse ano.
E dezembro chegou. O encontro foi na sala José Afonso da Casa da Cultura e tive a Rosa Azevedo por companhia, como era hábito naqueles encontros. Jantámos, conversámos, bebemos, conversámos, rimos, falámos a sério das hipocrisias da política e despedimo-nos. Isto aconteceu em 2016, como já disse. Eu encontrava-me com o Mário em lançamentos de livros, estreias de filmes e outras obrigações. Lembro-me de uma vez em que estivemos à conversa com o Francisco Bélard na Cinemateca. Que conversa tão saborosa. Tenho muita pena de não estar mais vezes com estas pessoas que nos fazem crescer bem. Existe uma vida boa, sem luxos mal comportados, mas com autenticidade e alegria. Este fim deixa-me triste. Escusavas de partir no dia dos meus anos. Não se faz. Mas olha: leva lá um grande abraço e um obrigado do tamanho da tua vontade de viver. Foi mesmo muito bom conhecer-te e ser teu amigo. Até sempre, Mário.
A frase pertence a Manuel da Fonseca e define de maneira muito clara uma inevitabilidade. Uma criança não a entende, felizmente. Quem está na idade de todas as certezas — vulgo adolescência —, esquece-a de imediato e continua a viver a sua eternidade. Somos eternos, quando vivemos embriagados de sonhos. Devem ser as "bebedeiras de azul", do poema de António Gedeão. Penso em tudo isto, no dia em que comemoro mais um ano da minha existência. Sim, faço anos hoje. Nunca percebi porque e como "se fazem" anos. Os anos acontecem, passam por nós, sem que a gente os faça. Também são uma inevitabilidade. Não deixam de nos cair em cima.
Vivi pouco tempo em ditadura. Mas ainda percebi os atropelos à liberdade de se ter curiosidade intelectual. Assisti a barbaridades praticadas por professores alentados pela conduta pidesca da denúncia. Eu próprio, aos onze anos, fui interrogado, por dois professores enfurecidos, como se fosse um perigoso opositor ao regime. Mas adiante. Não me posso queixar. Aos doze anos ouvi pela primeira vez "Vejam bem" de José Afonso. Mas, o que é isto? Que música é esta que nada tem a ver com os fadunchos miserabilistas e com festivais televisivos de ver, ouvir e esquecer? o álbum "Cantares do Andarilho" entrou em minha casa e nunca mais de lá saiu. Entrou na minha vida uma nova cultura que me permitia pensar, reflectir, exigir. José Afonso mudou para sempre a minha maneira de ouvir, olhar e ver. Mal sabia eu que ele morava muito perto e que um dia viria a ser meu amigo. As coisas começaram a correr bem.
O que aconteceu no dia 25 de Abril de 1974 abriu-me os olhos e ilustrou-me os sentidos. Mergulhámos num turbilhão de vontades. Nada do que estava para trás nos agradava. Queríamos mudar tudo. Mudámos. Podíamos finalmente ter acesso ao melhor que o mundo nos permitia. Deixaram de haver proibições e censura ao que queríamos ver, ouvir e ler. Tive a sorte de viver a minha adolescência nesse tempo de liberdade. Tive a sorte de ter aquele dia de Abril a abrir caminhos. Vivi os meus dias de busca das coisas novas em liberdade e em democracia. Encontrei muita coisa nova que guardei até hoje. Mas continuo na busca.
O tempo que hoje vivemos não tem comparação com outro tempo histórico vivido neste território, apesar dos fascistas que nos ameaçam com a apologia do passado. Os novos fascistas, apesar de circularem por idades pós-biberão, são velhos nas suas posturas de betinhos malcriados. São marialvas, serôdios e tristes como os seus bisavós. Mas este é ainda o nosso tempo. Ainda estamos vivos, e, enquanto cá estivermos, não os deixaremos espalhar a escuridão.
No dia em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Álvaro de Campos. Obras de Fernando Pessoa
As linhas deste desabafo vão ser alinhadas com outras e desenvolvidas em histórias que são as minhas passagens pelo meu tempo. Tudo será contado em livro a ser apresentado no dia 12 de março do próximo ano. Capa e título já tem: "Alguém viu os meus óculos?", e o resto está a ser desenhado. Um dia destes esclareço melhor o empreendimento. Muito obrigado por estarem aí. Até já.
Em Setúbal, os vereadores do partido fascista quiseram acabar com os apoios à arte que eles consideram ideológica. Disseram-no em discurso, proferido por um tal Cachaço, em vídeo muito divulgado aqui nas redes.
Mais ou menos dia sim dia não aparece a figurinha do biltre num cantinho de um qualquer monitor televisivo. Uma espécie de alterne combinado entre canais. Também o nome do entrevistado anunciado alterna entre "presidente do chega" e "André Ventura". Deve ser para disfarçar.
Nunca ouvi uma entrevista ao homenzinho. Não consigo aturar tanto disparate, mentira e apologia do crime fascista. Quero manter o meu fígado saudável. Mas confesso que estes anúncios já não me irritam como irritavam. Agora dá-me para rir. E não são nervos; é mesmo um rir com vontade. Esta insistência em ouvirem este cretino já passou as marcas da razoabilidade há muito. Esta figurinha ridícula a passar constantemente nos monitores é já de um ridículo sem classificação. Já só dá para rir, mas não tem graça nenhuma. São apenas ridículos. A democracia não é a defesa do seu contrário, estúpidos.
Estou a tentar assistir à tomada de posse do novo Presidente. Estava a ver um tótó a ler a acta da coisa, quando alguém da estação de televisão me avisa que o tótó é um recém eleito deputado do partido fascista. Tem ar de tótó, fala como um tótó, e será um tótó, mas, pior: é um jovem fascista. Também reparo que a estação de televisão foca com insistência o líder fascista. Mas o que é que se está a passar? Porquê o tótó a ler a acta? Para quê esta insistente normalização do partido fascista? Que se lixe o juramento. Adeuzinho.
DA SÉRIE GRANDES CAPAS | Há quem tenha pudor em chamar fascistas aos fascistas. Ontem ouvi João Miguel Tavares muito irritado por se chamar fascista a Ventura. Foi no programa "Isto é gozar de quem trabalha", que tem Ricardo Araújo Pereira ao leme. Tavares foi anunciado como "passista". Percebi mal se será por ser adepto do candidato a novo líder da extrema-direita ou se é por ser mesmo defensor de um passado de ajustamentos que não conheceu. Nisso não acredito, mas nunca fiando. Aqui vai esta capa da The New Review, que já não hesita em chamar os bois pelos nomes. Na América o fascismo está em andamento.
Continua a fazer sentido assinalar este dia com intensidade e denúncia. A discriminação sexista continua. A agressão continua a ser permitida quase sem disfarce. Com o crescimento da extrema-direita racista em Portugal e no mundo a normalização do machismo e do racismo já se instalaram no parlamento português e também no europeu. No resto do mundo também há regressão.
Marielle Franco foi assassinada por fascistas bolsonaristas em 14 de março de 2018. Ser feminista, negra, de esquerda e ainda por cima assumindo atitude pública são virtudes que não agradam aos delinquentes que querem dominar o mundo. Os novos fascistas estão aí. Já não têm vergonha na cara. São criminosos encartados ao serviço de uma ordem mundial que é dominada por multibilionários — a expressão não é exagerada — sem escrúpulos. Já há os que defendem a proibição do voto das mulheres. A ordinarice estende-se a mulheres apoiantes da extrema-direita. Uma cretinice difícil de compreender.
Honra às mulheres feministas, de esquerda, de direita, mas com atitude progressista. As que dizem que isto é tudo treta que se lixem. Também existem. Mas a parvoíce não tem género nem ideologia. É só parvoíce.
Espanha demarca-se da agressão protagonizada por Trump e Netanyahu. O governo português tem um entendimento totalmente diferente. Na cimeira luso-espanhola que está a decorrer em Huelva o desconforto foi notório. Eu assisti em directo, via televisiva, às lamentáveis declarações de Montenegro. Só não estou envergonhado porque me estou borrifando para Montenegro e para o que diz. Só lamento que ele seja primeiro-ministro de um governo tão lamentável. Trump, Netanyahu, Montenegro a mesma luta. A direita no poder é tão "wonderful", como diria Trump.